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terça-feira, 4 de novembro de 2025

Projeto de Lei de Iniciativa Popular para reduzir o salário dos vereadores – uma proposta pouco conhecida, mas plenamente lícita e constituciona

 




É surpreendente como, em muitos municípios brasileiros, uma proposta de lei que deveria interessar diretamente ao cidadão comum passou praticamente despercebida: a ideia de que o povo possa apresentar um projeto de lei de iniciativa popular para reduzir o subsídio dos seus representantes municipais — no caso, os vereadores — ao valor de um salário-mínimo. Apesar de pouco divulgada, trata-se de uma possibilidade jurídica real, que encontra respaldo na própria Constituição da República.


A Constituição Federal assegura, em seu art. 14, inciso III, que “a soberania popular será exercida … mediante: iniciativa popular”. E parte da doutrina entende que, ainda que o subsídio dos vereadores seja fixado por lei da Câmara Municipal, nada impede que seja objeto de proposta popular, desde que se respeite o quórum e as condições legais previstas. (osbrasil.org.br)


Por outro lado, vários casos no interior do país mostram que a população está, aos poucos, se movimentando para cobrar e até propor redução dos salários dos vereadores — seja via abaixo-assinado, seja via projeto de iniciativa popu lar. Por exemplo:


  - No município de Piraju (SP) um abaixo‐assinado propôs que o teto para o subsídio dos vereadores fosse fixado em 1 salário-mínimo. (Change.org)

- Em Sant’arém (PA) um projeto de iniciativa popular pretendia reduzir em até 50% o salário dos vereadores, mediante coleta de mais de 11 mil assinaturas. (DOL - Diário Online)

- Em Montes Claros (MG) houve proposta para que o subsídio máximo dos vereadores fosse fixado em R$ 5.900, muito abaixo dos valores correntes, por meio de iniciativa popular com assinatura de moradores. (gazetanm.com.br)

Esses exemplos mostram que é possível, sim, utilizar a iniciativa popular para intervir no regime de subsídios dos vereadores, de forma lícita e constitucional. O fato de ser pouco conhecido pela população torna o mecanismo ainda mais relevante: muitos cidadãos sequer sabem que essa possibilidade existe.


Quando os cidadãos tomam consciência de que podem atuar diretamente para redefinir os parâmetros de remuneração dos seus representantes, muda-se o eixo da responsabilidade: não fica mais apenas “esperar” pelos vereadores, mas cobrar uma iniciativa da própria comunidade.


Por que esse debate é urgente


No Brasil, é comum ver que os salários dos vereadores e todo o conjunto de benefícios, verbas de gabinete, auxílios e penduricalhos alcançam valores que se distanciam — e muito — da realidade da maioria da população. Enquanto o trabalhador comum luta para sobreviver com o salário-mínimo ou pouco mais, há vereadores que recebem valores múltiplos, em muitos casos sem que isso se reflita em produtividade, transparência ou impacto direto em melhorias concretas para o município.


Essa disparidade gera ressentimento, descrédito e alimenta a percepção de que a política local — a tal “velha política” — está desenhada mais para sustentar privilégios do que para servir ao cidadão. Reduzir o salário dos vereadores a um patamar compatível com a realidade da maioria não é apenas simbólico: é uma forma de restabelecer alguma proporcionalidade entre o que a população vive e o que ela paga aos seus representantes.


Ao fixar o subsídio no valor de um salário-mínimo, a proposta carrega vários efeitos positivos:


* Reduz gastos públicos com remuneração política, dinheiro que pode (ou deveria) ser revertido em serviços essenciais.

* Aumenta a legitimidade da Câmara Municipal perante a população, recuperando confiança.

* Obriga os vereadores a refletir melhor sobre o compromisso do mandato: se o salário não for um grande atrativo pessoal, quem for eleito assume com mais foco no serviço público do que no benefício pessoal.

Pode incentivar um perfil mais diversificado de candidatos – pessoas da comunidade, com vínculo direto com o município, que não se lançam na política mirabolando ganhos, mas desejam atuar de fato pela população.


E agora: uma reflexão para a cidade de Gandu


Imagine se, em Gandu, fosse aprovada, mediante iniciativa popular, uma lei fixando que o salário dos vereadores fosse equivalente a um salário-mínimo. Perguntas inevitáveis surgem:


* Será que os vereadores atuais aceitariam continuar com mandato nessas condições?

* Se o salário fosse reduzido, será que na próxima eleição teríamos o mesmo número de candidatos, ou tantos se sentiriam motivados a disputar?

* Será que muitos que buscam a vereança por interesse funcional/perquisitorial permaneceriam motivados?

* Qual seria o perfil dos candidatos? Talvez mais pessoas da comunidade, com vínculo direto com a população, com motivação de servir e não de auferir vantagens.

*E o mais importante: será que a população enxergaria com novos olhos a atuação dos vereadores, com menos privilégios, mais identificação com a realidade local?


Ao fazer esse paralelo — salário-mínimo do povo versus “super-salários” dos políticos — torna-se evidente o abismo que separa a vida simples de muitas famílias e o conforto que alguns ocupantes de cargos públicos desfrutam. Esse abismo não é apenas injusto: é um obstáculo à plena cidadania, à confiança nas instituições e à legitimidade do mandato popular.


Conclusão

A proposta de iniciativa popular para equiparar o salário dos vereadores ao valor de um salário-mínimo não é utópica. Pelo contrário: é uma ferramenta democrática, acessível à população, com precedentes reais no Brasil, e que merece mais atenção. Essa é uma oportunidade de colocar a política municipal a serviço da comunidade — não o contrário.

E em Gandu: se o subsídio dos nossos vereadores fosse reduzido a um salário-mínimo, seria o mesmo jogo de sempre ou uma nova política nasceria?



Fonte: Endireita Gandu